AVALIAÇÃO NUTRICIONAL IDOSOS

 A Organização Mundial de Saúde – OMS (2008) estima que, em 2050, haja mais de dois bilhões de pessoas com idade superior a 60 anos, em todo o mundo. Desses, 80% viverão em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Importante ressaltar que o ponto de corte, no Brasil, para que o indivíduo seja tido como idoso ou pertencente ao grupo da terceira idade é de 60 anos de idade ou mais. 

As alterações fisiológicas do próprio processo de senescência, como alterações do paladar, da dentição, da acuidade visual e auditiva, da redução estatural com depleção de massa magra e aumento do tecido adiposo são, na maioria, anatomofisiológicas e impactam na alimentação dos componentes dessa fase do ciclo vital e podem determinar a ocorrência de sarcopenia. 

A sarcopenia é definida como uma síndrome geriátrica, caracterizada pela perda progressiva da força muscular, massa muscular e/ou desempenho físico e, frequentemente, está associada ao aumento da gordura visceral. E, em face da sarcopenia, é necessário atenção especial na avaliação nutricional de idosos, aliando mais de um método e utilizando indicadores antropométricos válidos para esta faixa etária para minimizar os riscos de um pseudo diagnóstico nutricional. 

A avaliação nutricional do idoso é importante para o diagnóstico nutricional, monitoramento das condições de alimentação e nutrição dos idosos, fundamentais nesta fase da vida quando ocorre um aumento significativo da perda de massa muscular e aumento da sarcopenia. A avaliação nutricional, neste grupo etário, deve ser realizada de forma reflexiva, crítica e mais humanizada. Isso porque deve ser levada em consideração uma rede complexa de fatores determinantes, diretos e indiretos, inerentes ao processo de envelhecimento, tais como: isolamento social, doenças, incapacidades, alterações fisiológicas e biológicas. Além dessas especificidades, os métodos de avaliação nutricional e o contexto de vida da atualidade exigem a incorporação de uma perspectiva ampliada.

Algumas das medidas antropométricas recomendadas na avaliação nutricional do idoso são peso, estatura, circunferência do braço e dobras cutâneas tricipital e subescapular. Estas medidas permitem predizer, de forma operacional, a quantidade de tecido adiposo e muscular.

A Antropometria Nutricional tem sido amplamente utilizada na prática clínica e epidemiológica, pois é um método prático, de baixo custo, com uso de equipamentos portáteis e detecta alterações nutricionais precocemente. Dessa forma, a antropometria tem sido priorizada nas ações de vigilância nutricional cuja história está mais consolidada na rede de saúde no monitoramento do crescimento infantil.

Na população adulta, a antropometria tem como principal objetivo avaliar a composição corporal, porém surgem mais dificuldades na sua aplicação quando se trata de indivíduos idosos. Alterações físicas e de composição corporal observadas com a idade, tais como: redução da estatura, problemas posturais ou de mobilidade, presença de edema ou desidratação, redução de massa muscular e de densidade óssea, aumento e redistribuição da gordura corporal, perda da elasticidade e compressibilidade da pele interferem na coleta e na análise de medidas antropométricas.

O IMC tem sido apontado como importante preditor de morbimortalidade, apresentando boa correlação com a massa corporal e gordura corporal nos indivíduos. De acordo com a publicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do documento Protocolos do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional - SISVAN do Ministério da Saúde, o IMC é o índice preconizado para classificar o estado nutricional tanto de adultos como de idosos. A recomendação do Protocolo SISVAN é a utilização de pontos de corte específicos de IMC para idosos. 

Técnicas para Aferição de Medidas Antropométricas

Circunferência do Braço (CB) 


Circunferência da panturrilha (CP) 


Dobra Cutânea Tricipital (DCT)


Medida de peso 

Considerar a medida de peso isolada não é um bom indicador do estado nutricional para a população idosa. Esta medida é útil, pois permite verificar a velocidade de perda de peso no decorrer do tratamento. O conhecimento deste dado é importante pelo fato de uma alta velocidade de perda de peso estar associada à redução da massa muscular, que constitui um dos principais marcadores de desnutrição. Alguns pesquisadores consideram a evolução ponderal o elemento mais importante na avaliação do risco de desnutrição em idosos. Para uma pesagem correta, os indivíduos deverão estar descalços, usando o mínimo de roupa possível, e os
braços deverão permanecer estendidos ao longo do corpo.

Valor de Perda de Peso

Índice de Massa Corpórea (IMC) 

O IMC é um bom indicador do estado nutricional do idoso e consiste em uma medida secundária, obtida por meio de duas medidas primárias: peso (kg) dividido pela estatura (m) ao quadrado, para a classificação do estado nutricional do idoso, a partir do índice de massa corpórea.


 Mini Avaliação Nutricional – MNA

 MNA é uma ferramenta de avaliação nutricional que pode identificar, em pacientes com idade maior ou igual a 65 anos, que estão desnutridos ou com risco de desnutrição. Consiste em um questionário que pode ser completado em dez minutos. Ele é dividido, além da triagem, em quatro partes: avaliação antropométrica (IMC, circunferência do braço, circunferência da panturrilha e perda de peso); avaliação global (perguntas relacionadas com o modo de vida, a medicação, a mobilidade e os problemas psicológicos); avaliação dietética (perguntas relativas ao número de refeições, ingestão de alimentos e líquidos e autonomia na alimentação); e autoavaliação (a autopercepção da saúde e da condição nutricional).  

A soma dos escores da MNA permite uma identificação do estado nutricional, além de identificar riscos. A sensibilidade desta escala é 96%, a especificidade, 98%, e o valor prognóstico para desnutrição, 97%, considerando o estado clínico como referência. Para a triagem, o máximo de pontos a ser atingido é 14. O escore de doze pontos ou mais considera o idoso como normal, sendo desnecessária a aplicação de todo o questionário. Para aqueles que atingem onze pontos ou menos, deve ser considerada a possibilidade de desnutrição e, portanto, o questionário deve ser continuado.


 Para o questionário total da MNA, os escores que devem ser considerados são 9: - estado nutricional adequado: MNA ≥ 24; - risco de desnutrição: MNA entre 17 e 23,5; - desnutrição: MNA < 17.


Exame Físico

O exame físico é uma importante ferramenta para a avaliação da desnutrição de pacientes idosos, é um método barato e rápido, visto que é necessário somente um profissional bem treinado para a realização. O exame físico pode apontar a perda ponderal de gordura e de massa muscular do paciente:

Sinais de desidratação: síndrome de múltiplas causas que pode ser provocada por ingestão menor de água do que a necessidade, perda excessiva (cutânea, urinária, digestiva) ou ambas.

Atrofia bitemporal: indicador de que deixou de usar a mastigação como fonte principal de ingestão alimentar, podendo apontar restrição calórica.

Perda da bola gordurosa de Bichart: bilateralmente, relaciona-se com a redução prolongada da reserva calórica. Sinal da “asa quebrada”: atrofia da musculatura temporal junto à perda da bola gordurosa de Bichart sugere perda proteica-calórica prolongada. (rosto)

Clavícula:  a observação do osso proeminente demonstra a atrofia das regiões supra e infraclavicular e indica perda de massa muscular crônica. 

Músculos Intercostais: identificar perda dos músculos intercostais, o que implica menor força respiratória

Abdome Escavado: a escavação do abdome mostra que o paciente já está privado de alimentos há muito tempo, já perdeu toda a sua reserva calórica. 

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MAN – Mini Avaliação Nutricional do Idosos:

https://www.mna-elderly.com/sites/default/files/2021-10/mna-guide-portuguese.pdf

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PCT