5 período 2025
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UNIDADE 1: INTRODUÇÃO E BIOÉTICA
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Avaliar | julgar | fazer apreciação
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL significa comparar resultados com referências, parâmetros e valores cientificamente, tecnicamente ou politicamente aceitos.
ESTADO NUTRICIONAL reflete o equilíbrio entre a ingestão e a demanda (necessidade) de nutrientes. Incorpora duas dimensões:
• A dimensão biológica: resultante da manifestação biológica sobre o corpo e dada pela relação entre o consumo e as necessidades nutricionais.
• A dimensão social: está relacionada à manifestação biológica das relações que operam sobre o corpo no interior de uma sociedade.
Ou seja, relações entre o homem, natureza e o alimento.
São diversos os usos da avaliação nutricional, tendo grande relevância na vigilância alimentar e nutricional nos diferentes ciclos da vida; no diagnóstico da magnitude e da distribuição geográfica dos problemas nutricionais; na tomada de decisões para a intervenção nutricional no âmbito das políticas e dos programas públicos de combate aos problemas nutricionais mais relevantes e considerados de saúde pública; e no monitoramento dos efeitos da intervenção nutricional nos âmbitos individual e coletivo.
cartilha Situação Alimentar e Nutricional no Brasil: excesso de peso e obesidade da população adulta na Atenção Primária à Saúde, redigida pelo Ministério da Saúde. Nela, há a inferência da má alimentação liderando o ranking dos fatores de risco relacionados à carga global de doenças no mundo.
Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são consideradas um dos maiores problemas de saúde pública. No Brasil, o percentual de mortes prematuras por DCNT corresponde a 74%.
>>>>>>>>>O Ministério da Saúde realizou um estudo que infere que a valorização dos fatores de risco relacionados à alimentação reduz mais os anos de vida com qualidade do que o fumo, o álcool, a poluição e as drogas. Assim, uma melhoria nas condições de alimentação da população poderia prevenir uma em cada cinco mortes no mundo. Fonte: adaptado de Brasil<<<<<<<<<<<
A partir de boas técnicas de análise da saúde e da alimentação da população, é possível obter avanços em diversos indicadores e criação de políticas públicas. Essas técnicas podem ser estendidas àquelas que têm impactos nas taxas de mortalidade infantil, a fim de promover a expansão e a cobertura dos serviços de saúde, em especial, da atenção básica e do saneamento. Também é possível implementar programas de assistência alimentar e de transferência de renda, repercutindo de forma positiva nos indicadores de saúde nacionais.
A aplicabilidade da AN foi de extrema importância e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a estabelecer limites para o consumo de nutrientes (gorduras (10% a 30% do Valor Energético Total – VET), ácidos graxos saturados (10% do VET), açúcar livre (10% do VET), colesterol (300 mg/dia) e sal (5g/dia)) e a estimar o consumo de carboidratos complexos (45% a 65% do VET) e de frutas, legumes e verduras (400 g/dia)
O estado nutricional reflete o equilíbrio entre a ingestão e a demanda (necessidade) de nutrientes de um indivíduo. A ingestão de nutrientes depende tanto de fatores associados aos alimentos quanto daqueles relacionados à digestão e à absorção. Nesse contexto, a demanda de nutrientes deve suprir as necessidades básicas do corpo, mesmo em períodos de crescimento e de desenvolvimento, como infância, adolescência e gestação. As situações especiais, como estresse fisiológico, febre, infecção e doenças, podem alterar significativamente a necessidade de nutrientes de um indivíduo. O maior número e tempo de hospitalização está relacionado a essa piora. No âmbito da economia, o estado nutricional alterado, direta ou indiretamente, conduz à pouca produtividade e gera gastos elevados para o indivíduo e para sociedade.
SAMPAIO diz: Eles explicam que o estado nutricional está envolto na concepção de um modelo multicausal de determinação dos problemas nutricionais. Esses problemas aumentam a complexidade à medida que incorporam uma hierarquização no processo de causalidade. Em outras palavras, esse modelo parte de causas básicas/estruturais que expressam os processos econômicos, políticos e ideológicos da organização social, do desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção.O Desequilíbrio do estado nutricional: Nos casos em que há consumo insuficiente, pode ocorrer, como consequência, doenças carenciais, como uma desnutrição proteica, anemia ferropriva, hipovitaminose A, bócio, cárie dental e outras. Por outro lado, caso haja o excesso de consumo, tem-se a obesidade, o excesso de algumas vitaminas e minerais, as dislipidemias e algumas doenças crônicas não transmissíveis, como a hipertensão, a diabetes e alguns tipos de câncer.
Dentro da faixa segura de ingestão alimentar, os mecanismos homeostáticos permitem que o corpo utilize os nutrientes de modo igualmente eficiente, sem qualquer vantagem detectável adquirida por um consumo específico. Por outro lado, quando são desenvolvidas deficiências ou excessos, promovem-se adaptações para alcançar um novo estado estável, sem nenhuma perda importante na função fisiológica.
Logo, à medida que a ingestão se torna deficiente, o organismo se acomoda perante às alterações na oferta de nutrientes, reduzindo a função, o tamanho ou o estado dos compartimentos afetados pelo corpo.
Quando as reservas nutricionais estão depletadas ou a ingestão é inadequada para satisfazer às necessidades metabólicas diárias, desenvolve- se um estado de desnutrição. Considere a desnutrição como um desequilíbrio nutricional. Esse quadro pode resultar da ingestão inadequada, da digestão ou da absorção deficiente, das alterações metabólicas ou do aumento da excreção de nutrientes essenciais. Logo, os lactentes, as crianças, as gestantes, os indivíduos de baixa renda, os indivíduos hospitalizados e os idosos têm maior risco de serem desnutridos. Isso compromete o crescimento e o desenvolvimento, diminui a resistência às infecções, prejudica a cicatrização, promove o desfecho clínico ruim da doença ou do trauma, desenvolve doenças crônicas e aumenta a morbidade e a mortalidade.
O excesso de peso e a obesidade podem estar associados a uma inflamação de baixo grau, às altas concentrações de marcadores inflamatórios (como a proteína C-reativa) e às citocinas pró-inflamatórias.
A obesidade atingiu proporções epidêmicas no Brasil. Segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, que foi feita pelo Ministério da Saúde em 2018, a obesidade apresenta maior taxa de crescimento entre adultos de 25 a 34 anos (84, 2%) e de 35 a 44 anos (81,1%).
• Triagem do risco nutricional. • Avaliação das necessidades nutricionais. • Diagnóstico nutricional. • Intervenção nutricional. • Monitoramento e avaliação dos resultados.
Como nutricionista, você deve trabalhar detalhadamente com os passos da triagem do diagnóstico nutricional, os quais determinam o monitoramento e a avaliação de resultados do paciente. Também precisa fazer uma adequada intervenção nutricional, o que exige um contexto amplo de discussões sobre o caso, e identificar os riscos nutricionais apresentados pelo paciente, a fim de fornecer uma intervenção custo-efetiva e que auxilie a conter custos no sistema de saúde no cuidado nutricional. São diversas as situações que, mesmo com o diagnóstico nutricional não definido claramente, é possível utilizar métodos de avaliação que predizem a intervenção que será necessária.
Com base na predição, você deverá observar os fatores que classificam, ou não, o seu paciente em risco nutricional, de acordo com Martins (2009):
• Perda ou ganho de peso não-intencional ≥ 10% do usual dentro de seis meses. • Perda de peso não intencional ≥ 5% do usual em um mês. • Peso atual 20% acima ou abaixo do ideal. • Presença de doença crônica. • Requerimentos metabólicos aumentados. • Ingestão alimentar insuficiente por mais de sete dias, incluindo alteração da capacidade de ingerir ou de absorver os alimentos de maneira adequada.
Ao fazer uso dos métodos diretos, você trabalhará com uma abordagem objetiva (abordagem quantitativa) e subjetiva (abordagem qualitativa). A abordagem objetiva compreende os exames antropométricos (peso, altura, dobra cutânea etc.), os exames laboratoriais (glicemia, hemograma etc.), o exame clínico nutricional (sinais e sintomas clínicos nutricionais), a densitometria e a bioimpedância, por exemplo. Por outro lado, a abordagem subjetiva é pautada na semiologia nutricional, na avaliação subjetiva global e na avaliação muscular subjetiva.
Ao fazer uso dos métodos indiretos, por sua vez, você buscará identificar os fatores associados ao processo de determinação do estado nutricional, ou seja, aqueles que explicam a ocorrência do problema nutricional, além de identificar indivíduos ou grupos em risco nutricional. Integrando esses fatores, encontram-se os fatores demográficos (sexo, idade, faixa etária, morbidade, mortalidade etc.), socioeconômicos (salário, ocupação, escolaridade, acesso ao serviço de saúde etc.), culturais (tabus alimentares, características locais específicas), estilo de vida (atividade física, hábito de fumar e consumir bebidas alcoólicas etc.) e de inquéritos do consumo alimentar (recordatório alimentar de 24 horas, frequência alimentar, pesada direta etc.).
PG 28
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